História da árvore de Natal: como surgiu a tradição
A árvore de Natal como conhecemos surgiu em regiões de língua alemã e na Alsácia entre os séculos XV e XVI, quando corporações de ofício e famílias passaram a enfeitar pinheiros e abetos com maçãs, hóstias, doces e rosas de papel. O costume se espalhou pela Europa e pelos Estados Unidos no século XIX, ganhou luzes elétricas em 1882 e chegou ao Brasil com imigrantes alemães e com a moda europeia, até se popularizar ao longo do século XX.
A seguir estão os costumes antigos que prepararam o terreno, os primeiros registros documentados, a lenda de Martinho Lutero, uma linha do tempo da árvore até a versão artificial e o jeito como ela se adaptou ao Natal de verão no Brasil.
Antes da árvore: ramos verdes no meio do inverno
Levar plantas verdes para dentro de casa em pleno inverno é um costume muito mais antigo que a árvore de Natal. Os romanos enfeitavam casas e templos com ramos durante as Saturnais, festas de dezembro, e povos do norte da Europa usavam plantas perenes nas celebrações do meio do inverno.
O motivo é simples: pinheiros, abetos, azevinho e hera continuam verdes quando as outras árvores perdem as folhas. No auge do frio, esse verde era sinal de vida que resiste, e o cristianismo depois associou a mesma ideia à vida eterna.
Os historiadores, porém, tratam esses ritos como pano de fundo, e não como origem direta: não há documento que os ligue de forma contínua à árvore enfeitada do fim da Idade Média.
A árvore do paraíso, origem mais aceita da árvore de Natal
A explicação mais aceita para a origem da árvore de Natal está nas encenações religiosas da Idade Média. Em regiões de língua alemã, o dia 24 de dezembro era associado a Adão e Eva, e peças populares sobre a criação do mundo eram apresentadas nessa época.
No cenário havia uma “árvore do paraíso”, em alemão Paradeisbaum: um abeto enfeitado com maçãs, que representava a árvore do conhecimento do bem e do mal. Com o tempo, hóstias foram penduradas ao lado das frutas, como sinal da redenção, e mais tarde deram lugar a biscoitos e doces.
Quando essas peças perderam espaço, o costume teria passado para dentro das casas, o que explica as maçãs e os biscoitos nas primeiras descrições de árvores de Natal.
Os primeiros registros da árvore de Natal (séculos XV a XVII)
Os primeiros registros documentados da árvore de Natal são dos séculos XV e XVI e vêm da região do Báltico e da Alsácia, hoje francesa, que na época pertencia ao Sacro Império. Algumas datas costumam ser citadas, nem todas com o mesmo grau de certeza:
- 1441 e 1510, Tallinn e Riga: as duas cidades bálticas disputam o título de primeira árvore. Os relatos falam da Irmandade dos Cabeças Pretas, uma associação de comerciantes solteiros, que montava uma árvore na praça, dançava em volta dela e depois a queimava. Historiadores discutem se era uma árvore de Natal no sentido atual.
- 1521, Sélestat: um livro de contas da cidade alsaciana registra pagamento a guardas florestais para vigiar as árvores na época do Natal, sinal de que cortá-las já era costume.
- 1605, Estrasburgo: um relato descreve pinheiros montados dentro das casas, enfeitados com rosas de papel colorido, maçãs, hóstias, ouropel e doces.
Muita gente atribui a invenção a Martinho Lutero, o reformador protestante do século XVI, que teria visto estrelas entre os galhos numa caminhada noturna e colocado velas numa árvore para mostrar a cena à família. Nenhum documento da época confirma a história.
Como a árvore de Natal se espalhou pelo mundo no século XIX
A árvore de Natal saiu das regiões alemãs e ganhou o mundo no século XIX, puxada por famílias reais e pela imprensa ilustrada, depois de virar moda entre a nobreza e a burguesia alemãs.
Na Inglaterra, a rainha Carlota, esposa alemã do rei Jorge III, montou uma árvore em Windsor por volta de 1800. O grande impulso veio em 1848, quando um jornal ilustrado de Londres publicou uma gravura da rainha Vitória, do príncipe Albert, que era alemão, e dos filhos em volta de uma árvore enfeitada. A imagem foi reproduzida nos Estados Unidos pouco depois, adaptada para parecer uma família americana, e reforçou um costume que os imigrantes alemães já mantinham por lá.
| Época | Lugar | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Idade Média | Regiões de língua alemã | Árvore do paraíso, com maçãs, nas peças de 24 de dezembro |
| 1441 e 1510 | Tallinn e Riga | Árvores montadas por irmandades de comerciantes (registros discutidos) |
| 1521 | Sélestat, Alsácia | Livro de contas cita a vigilância das árvores no Natal |
| 1605 | Estrasburgo | Relato de pinheiros enfeitados dentro de casa |
| Por volta de 1800 | Windsor, Inglaterra | A rainha Carlota monta uma árvore na corte |
| 1848 | Londres | Gravura da família real em volta da árvore |
| Meados do século XIX | Lauscha, Alemanha | Começa a produção de bolas de vidro soprado |
| 1882 | Nova York | Primeira árvore com luzes elétricas |
| 1947 | Londres | A Noruega passa a enviar uma árvore por ano para a Trafalgar Square |
| 1982 | Vaticano | A Praça de São Pedro ganha sua árvore de Natal |
Das velas às luzes elétricas e às árvores artificiais
As primeiras árvores de Natal eram iluminadas com velas de verdade, presas aos galhos, e por isso ficavam acesas por pouco tempo, sempre com alguém por perto e um balde de água ao lado.
A troca começou em 1882, em Nova York. Edward H. Johnson, sócio de Thomas Edison, montou em casa uma árvore com 80 lâmpadas elétricas vermelhas, brancas e azuis, feitas à mão. As luzes elétricas eram caras no começo e só se tornaram comuns no século XX, à medida que as casas foram ligadas à rede elétrica.
A árvore artificial também tem uma história longa:
- Século XIX, Alemanha: árvores de penas de ganso tingidas de verde, uma resposta à derrubada excessiva de pinheiros.
- Década de 1930, Estados Unidos: árvores feitas com as mesmas cerdas usadas em escovas, criadas por uma fabricante do ramo.
- Final dos anos 1950: árvores de alumínio prateado, que não podiam receber fios elétricos e eram iluminadas por um refletor com disco colorido giratório.
- Décadas seguintes: árvores de PVC e de plástico moldado, as mais comuns hoje.
Como a árvore de Natal chegou ao Brasil
A árvore de Natal chegou ao Brasil no século XIX, trazida por imigrantes alemães, que começaram a se instalar no Sul em 1824, e pela elite urbana, que copiava os costumes europeus. Por muito tempo, porém, o centro da decoração brasileira foi o presépio, herança portuguesa.
A árvore se popularizou ao longo do século XX, com o comércio, as vitrines e as revistas. Como abetos não fazem parte da paisagem brasileira, as árvores artificiais dominaram, e o algodão virou neve num Natal que acontece em pleno verão.
Hoje muitas famílias adaptam a árvore ao clima e ao espaço, com galhos secos, plantas da casa ou enfeites de materiais naturais, em linha com as ideias de Natal sustentável.
Como trazer a história para a sua árvore
Conhecer a história da árvore de Natal rende ideias de decoração e boa conversa com as crianças na hora de montar:
- pendurar maçãs vermelhas de enfeite, em lembrança da árvore do paraíso;
- fazer rosas e estrelas de papel colorido, como as descritas em Estrasburgo em 1605;
- usar biscoitos assados amarrados com fita, no lugar das antigas hóstias, só por um ou dois dias, porque doces atraem formigas no calor;
- trocar as velas de verdade por pisca-pisca ou velas de LED, que reproduzem o efeito sem risco de fogo;
- contar a lenda de Lutero e explicar que ela é lenda, um bom exercício para as crianças separarem história de tradição.
Para a montagem em si, siga o passo a passo de como montar a árvore de Natal na ordem certa. E, para entender como a árvore se encaixa nas outras tradições da data, vale ler sobre o significado do Natal e suas origens.
Perguntas frequentes
Quem inventou a árvore de Natal?
Ninguém sozinho. O costume se formou entre os séculos XV e XVI em regiões de língua alemã e na Alsácia, a partir das árvores do paraíso das peças medievais.
Martinho Lutero criou a árvore de Natal?
Não há prova disso. A história de que Lutero pôs velas numa árvore depois de ver estrelas entre os galhos é uma lenda popularizada no século XIX.
Quando a árvore de Natal ganhou luzes elétricas?
Em 1882, em Nova York. Edward H. Johnson, sócio de Thomas Edison, montou em casa uma árvore com 80 lâmpadas elétricas vermelhas, brancas e azuis.
Por que a árvore de Natal é um pinheiro?
Porque pinheiros e abetos ficam verdes o ano todo e eram comuns nas florestas alemãs onde o costume nasceu. O verde no inverno virou símbolo de vida e, para os cristãos, de vida eterna.
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