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Tradições • 30 de outubro de 2026

Por que o Papai Noel usa vermelho? A história real

Gorro de Papai Noel e livro antigo sobre São Nicolau em mesa de madeira

O Papai Noel usa vermelho porque ilustradores americanos do século XIX foram fixando, em revistas, cartões e anúncios, um casaco vermelho com acabamento de pele branca, cor que já aparecia nas imagens de São Nicolau vestido de bispo. A história de que uma marca de refrigerante inventou a roupa em 1931 é mito: há Papai Noel de vermelho pelo menos desde a década de 1860, e a campanha só espalhou uma cor que já era a mais comum.

Toda família tem alguém que solta esse mito na ceia com ar de quem sabe tudo. Agora você tem a resposta. A linha do tempo das cores vem logo abaixo, e no fim há um jeito simples de contar a história para as crianças.

Linha do tempo: as cores do Papai Noel antes de 1931

A roupa do Papai Noel mudou de cor muitas vezes antes de ficar vermelha para todo mundo. O personagem moderno nasceu nos Estados Unidos e foi desenhado por artistas diferentes, cada um com sua ideia de figurino:

Quando Onde Como ele aparecia
1823 Poema A Visit from St. Nicholas “Vestido todo de pele, da cabeça aos pés”, sem nenhuma cor mencionada
1843 Um conto de Natal, de Charles Dickens O Espírito do Natal Presente, parecido com o Father Christmas inglês, usa manto verde-escuro com borda de pele branca
Janeiro de 1863 Revista Harper’s Weekly, desenho de Thomas Nast Roupa com estrelas e listras da bandeira americana, em plena Guerra Civil, impressa em preto e branco
1868 Rótulo colorido de uma confeitaria de Nova York, hoje no acervo da Biblioteca do Congresso americano Jaqueta vermelha com gorro verde
1881 a 1890 Desenhos de Thomas Nast e suas versões coloridas, reunidas em livro em 1890 Traje vermelho completo, com cinto, pele branca e cachimbo
1902 Capa da revista de humor Puck Casaco e gorro vermelhos com pele branca, quase igual ao de hoje
1902 Capa do livro The Life and Adventures of Santa Claus, de L. Frank Baum Ainda aparece de verde, sinal de que o vermelho não era regra
Anos 1920 Primeiros anúncios de Natal da marca de refrigerante Um Papai Noel sério, no estilo dos desenhos de Nast
1931 a 1964 Pinturas de Haddon Sundblom para a mesma marca O velhinho sorridente, rosado e de vermelho que virou o padrão mundial
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Para guardar: o vermelho já dominava as imagens por volta de 1900, mais de trinta anos antes da campanha de 1931.

De onde veio o vermelho, afinal

Ninguém deixou por escrito por que escolheu vestir o Papai Noel de vermelho, então o que existe são explicações históricas que se somam. As quatro mais citadas:

  1. A herança de São Nicolau. O bispo de Mira, inspiração do personagem, aparece há séculos em ícones e pinturas com vestes litúrgicas, muitas vezes vermelhas. Na Holanda, o Sinterklaas desfila até hoje com capa vermelha e mitra vermelha de bispo. A história completa do santo está no texto sobre a origem do Papai Noel, de São Nicolau ao bom velhinho.
  2. A impressão em cores ficou barata. No fim do século XIX, a litografia colorida espalhou cartões de Natal, rótulos, anúncios e capas de revista. O vermelho saturado chamava atenção na vitrine e na banca, e o contraste com a barba e a pele brancas deixava o personagem reconhecível de longe.
  3. As cores do inverno europeu. O vermelho das frutinhas do azevinho e o verde dos pinheiros já eram as cores das festas de fim de ano no Hemisfério Norte. Um velhinho de vermelho combinava com tudo isso.
  4. A repetição. Depois que Nast e os ilustradores de revista adotaram o vermelho, cada novo desenho copiava o anterior, e a cor virou marca registrada do personagem.

Repare que a primeira explicação é uma hipótese bem fundamentada, não um fato comprovado: não há documento ligando diretamente as vestes do bispo à escolha dos ilustradores americanos.

O mito da marca de refrigerante: o que é verdade e o que não é

A frase “foi a Coca-Cola que deixou o Papai Noel vermelho” mistura um fato verdadeiro com uma conclusão falsa. A própria empresa, nas suas páginas de perguntas frequentes, diz que não foi responsável pela cor e que o personagem já usava vermelho antes das suas propagandas.

O que a campanha fez de fato foi outra coisa. A partir de 1931, o ilustrador Haddon Sundblom pintou todos os anos, até 1964, um Papai Noel de carne e osso, e não um homem fantasiado. Ele se inspirou no poema de 1823 e usou como modelo um amigo, vendedor aposentado; depois, passou a usar o próprio rosto no espelho. O resultado foi um velhinho caloroso, de bochechas rosadas e olhar gentil, repetido por mais de três décadas em revistas, cartazes e pontos de venda de vários países.

Afirmação que circula Veredito
A marca inventou o Papai Noel Falso. O personagem é do século XIX
A marca inventou a roupa vermelha Falso. Há vermelho desde pelo menos 1868
Antes de 1931 ele era sempre verde Falso. Usava várias cores, e o vermelho já era a mais comum
A campanha padronizou a imagem no mundo Verdadeiro. Ela espalhou um único rosto e um único figurino por décadas
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Resumo para levar à mesa da ceia: a marca não criou o vermelho, mas ajudou muito a acabar com as outras cores.

Papai Noel de verde, azul e marrom: as outras cores que existem

O vermelho venceu, mas as outras cores não sumiram. Em vários lugares, elas ainda aparecem:

Se você quer fugir do vermelho na decoração, uma árvore com Papai Noel verde ou bege de inspiração antiga funciona bem com enfeites dourados e pinhas naturais.

Por que o vermelho ficou: o figurino de inverno no verão brasileiro

O vermelho com pele branca nasceu para o Natal de neve do Hemisfério Norte, e por isso o Papai Noel de shopping no Brasil sofre com veludo, botas e luvas em dezembro, no auge do calor. A cor ficou porque virou identidade: uma criança reconhece o personagem só pelo casaco vermelho e pela barba branca, mesmo de longe.

Isso explica a força do vermelho na decoração de Natal brasileira, com laços, bolas e toalhas da mesma cor. Para quem quer usar essa paleta em casa, o guia de decoração de Natal clássica em vermelho e verde mostra como combinar as duas cores sem pesar o ambiente.

Na hora de montar a fantasia de Papai Noel para a família, prefira tecidos leves, como tricoline ou malha vermelha, e pele sintética só nas bordas. Escolha uma barba de tecido que respire e programe a aparição para 10 a 15 minutos, não para a noite toda.

Como contar essa história para as crianças

A história das cores do Papai Noel rende uma brincadeira de 15 minutos na véspera do Natal, sem mexer com a magia do personagem. Um roteiro simples:

  1. Imprima ou desenhe quatro contornos do Papai Noel em papel sulfite.
  2. Peça para cada criança pintar um com uma cor diferente: verde, bege, azul e vermelho.
  3. Conte a versão curta: “Faz muito tempo, cada desenhista pintava a roupa do Papai Noel de uma cor. O vermelho foi o que todo mundo mais gostou, e ficou.”
  4. Monte um varal com os quatro desenhos em ordem, do mais antigo ao mais novo, e deixe pendurado até o Dia de Reis.

Para crianças que já fazem perguntas difíceis sobre o bom velhinho, vale ler antes o texto sobre como manter a magia do Papai Noel e quando contar a verdade.

Que essa história renda uma boa conversa na ceia e que o Papai Noel, de vermelho ou de verde, continue arrancando sorrisos das crianças da sua casa.

Perguntas frequentes

Qual era a cor original da roupa do Papai Noel?

Não existe uma cor original única. Nas primeiras imagens do século XIX, ele aparecia com peles em tons de bege e marrom, de verde, com roupa estampada de estrelas e também de vermelho, cor que passou a dominar por volta de 1900.

Quem desenhou o Papai Noel de vermelho pela primeira vez?

Não se sabe quem foi o primeiro. Há um rótulo de confeitaria de 1868 com o personagem de jaqueta vermelha, e o cartunista Thomas Nast ajudou a fixar o traje vermelho nas décadas de 1880 e 1890.

A Coca-Cola criou o Papai Noel?

Não. O personagem já existia no século XIX e usava vermelho antes das propagandas. A partir de 1931, as pinturas de Haddon Sundblom para a marca ajudaram a padronizar no mundo a imagem do velhinho sorridente.

Por que o Papai Noel tem barba branca e pele branca na roupa?

A barba branca vem da imagem de um velho bondoso, já presente no poema de 1823. A pele branca nas bordas é o acabamento de casacos de inverno do Hemisfério Norte e cria o contraste que deixa o personagem reconhecível de longe.